O Fantasma da Ópera

Se me perguntarem qual meu filme predileto, aquele que faz meu coração palpitar, inebria minha mente, instiga meus sonhos e assim por diante, não haverá hesitação ou segundos para averiguações. “O Fantasma da Ópera” (The Phantom of the Opera) é, sem dúvida nenhuma, o que melhor se enquadra nesta ideia, sua história atiça-me e suas músicas emocionam-me, levam-me a cantar e a sentir algo que simples palavras não são capazes de expressar! Cada nota e cada palavra levam meu coração a um bater diferenciado!

A versão que me apraz, tanto pela produção quanto pela interpretação musical, e especialmente por este quesito, é a de 2004 (http://www.imdb.com/title/tt0293508/)! Sem dúvidas!

Admito, neste momento, que não havia encontrado outras versões das melodias que me levassem ao mesmo nível de êxtase,  ou que me agradassem! Isso mudou hoje, pois Lindsey Stirling surpreendeu-me novamente! Sua releitura e compilação dos temas de “O Fantasma da Ópera” ficou simplesmente incrível!

É claro, ainda não reflete em mim o mesmo efeito que encontro nas trilhas originais do filme, mas não perde o brilho e não deixa a desejar!

 

 

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Samba em prelúdio

A delicadeza desta música arrepia-me desde a primeira vez em que me deleitei com seus sons e com o valor das palavras tão preciosamente unidas, muitos anos atrás, quando eu não passava de uma criança.

Vinicius de Moraes não foi simplesmente um músico, tampouco simplesmente um poeta, ou um poeta-músico. Ele transcendeu em cada uma de suas composições a magia possível de ser alcançada por ser-humano, não há palavras para descrever o que ele foi capaz de tornar “palpável”.

Não deixarei de mencionar, igualmente, a suave arte de Baden Powell, cujos dedilhados deram curvas envolventes para esta música.

 

Samba em Prelúdio

Eu sem você não tenho porquê

Porque sem você não sei nem chorar

Sou chama sem luz, jardim sem luar

Luar sem amor, amor sem se dar

Eu sem você sou só desamor

Um barco sem mar, um campo sem flor

Tristeza que vai, tristeza que vem

Sem você, meu amor, eu não sou ninguém

Ah, que saudade

Que vontade de ver renascer nossa vida

Volta, querida

Os meus braços precisam dos teus

Teus braços precisam dos meus

Estou tão sozinho

Tenho os olhos cansados de olhar para o além

Vem ver a vida

Sem você, meu amor, eu não sou ninguém

Sem você, meu amor, eu não sou ninguém



Um ponto final

É doloroso quando as certezas se esvanecem ao soprar de uma brisa e as promessas de uma vida são dilaceradas pela sola de uma verdade repudiada. O coração é moído em dor e a garganta se amarra em um nó espinhoso quando nos damos conta de que as decisões a serem tomadas nem sempre são as esperadas, nem sempre trazem o felizes para sempre para junto de nós.

Hei-me neste momento fatídico de minha vã existência. O amor é suficiente para o sacrifício de uma vida inteira? O carinho e ânsia da proximidade cotidiana é bastante para fazer-nos tragar os confrontos com ideologias e princípios morais inerentes do ser?

Príncipes encantados não existem e eu sempre o amei como o comum homem que é. Entretanto, falta-me a disposição de aceitar-me ser subjugada por conservadorismos a partir do qual as mulheres são menos do que os homens e que eles são quem merecem o destaque.

Longe de minhas idéias ser o destaque, um casal desfila unido. Sinceramente, ser inflexível alicerçando-se em princípios machistas apenas mostra que talvez seja melhor parar agora, antes que se faça o matrimônio.

Imaginando…

O outono sopra gelado, um prenúncio de que o inverno se pinta em futuro próximo. Os galhos longos e agudos das árvores, que em tempos primaveris desenham-se frondosas, estendem os braços de tons variantes de marrom e amarelo por sobre minha cabeça, por sobre aquele banco no qual me sento, a madeira envelhecida e ferida pelo tempo e pela exposição às intempéries. Na armação, uma ponta de ferrugem esconde-se próxima ao formigueiro que se instalara na raiz de uma árvore que se erguia às minhas costas.

Abro meu jornal e prego meus olhos ali, sem atenção suficiente para perceber tudo quanto ali se exprime. Pisco duas ou três vezes e fecho meu casaco, para impedir que o frio se aloje onde deveria estar o calor. Ergo minha cabeça e fito o azul limpo do céu através das folhas, algumas pendentes, outras flutuantes rumo ao chão.

Meu olhar se volta para o lado direito, de esguelha, permito-me segundos de deslumbramento com a alameda de árvores outonais, a terra do caminho, de que hora ou outra se utilizavam os transeuntes, estava forrada de folhas.

Uma criança passou de bicicleta diante de mim, o peludo cachorro de pêlo dourado, a língua amostra, correndo alegremente em seu encalço. Vez ou outra, a criança encapuzada e agasalhada voltava o rosto sorridente para o animal, chamando-o carinhosamente.

Um casal de velhinhos cruzou a passos curtos e oscilantes a minha visão. Os braços dados, as costas curvadas, os cabelos em neve cuidadosamente penteados. À mão do senhorzinho firmava-se uma bengala de madeira lustrada. O amor de uma vida refletido na simplicidade de um gesto gentil, um passeio em uma manhã gelada de outono, o cuidado de um para com o outro evidente.

Abro os dentes em curiosidade ao ver um serelepe esquilo brigando com uma noz qualquer, que teimava em escapar-lhe dos dedos miúdos e ansiosos. Rolou-se no chão por sobre a amêndoa e desistiu daquela ao descobrir uma maior, alguns passos dali. Iniciou-se excitante batalha, um esquilo miúdo em suado esforço para erguer uma noz encalhada. Regozijei-me.

Uma fileira de passarinhos dançou em coreografia graciosa, um mergulho mortal que os fez adentrar nas copas e surgir sob elas, formando uma espirar a agitar as folhas do chão e sumindo em revoada.

Fechei o jornal e dobrei-o ao meio. As notícias de uma selva de pedras não eram imbuídas do encanto com que poderia me deliciar em alguns minutos de observação daquele pequeno universo em que me infiltrava, como uma estátua incapaz de interferir, apenas de assistir.

Cruzei as pernas demoradamente e repousei as mãos ao colo. Assim permaneci, com um sorriso suave no rosto, durante horas a fio e sequer percebi um minuto passar.

O vento soprou gelado, folhas caíram.

Sonho de um Futuro…

Me ponho a sonhar um querer de um dia em que os pássaros alcearão vôo sob a melodia da vida, com seu canto levado pela brisa de aroma floral que cria a percusão no farfalhar das folhas a dançar…

… Os dias em que todos os dias o céu for de um celeste azul claro, em cujo pico brilhará o dourado Sol a dar cor aos verdes da vida e de cujo leito correrão suaves chuvas, juntos contruirão as coloridas pontes do céu para que eu caminhe até sua ponta mais distante a encontrar um punhado de pura felicidade (engana-se aquele que imaginar que falo do dourado ouro dos duendes)…

Sonho com as nuvens a dançar e modificar-se sob o sopro gentil dos quatro ventos, desejando curiosas formas a ilustrarem o céu e encantar-me. Então, deitar-me-ei sobre a verde grama, sob a sombra de uma frondosa árvore de frutos suculentos, com uma copa repleta de feixes dourados. Ao meu lado, um límpido riacho correrá e cantará a vida dentro de si e ao seu redor…

Sonho com o dia qem que a Natureza voltará a reinar sobre nós e acolher-nos-á como filhos das matas e dos ambientes mais belos…

Eis que repousarei ao colo do meu amado e sorrirei…