O que será?

A vida é repleta de caminhos tortuosos e bifurcações. Por vezes, pessoas aproximam-se e caminham ao nosso lado. Por vezes, um abanar de mãos é suficiente para que cada um siga seu rumo.

O destino, ou como queiram chamá-lo, não é o único atuante nesses percursos. O livre arbítrio responsabiliza-nos por tantas despedidas e aproximações, independentemente da motivação que nos impele a uma escolha ou outra.

Vejo-me marcada por pessoas e momentos. Lembro-me de escolhas, das quais não me arrependo, pois me fizeram o que sou. Lembro-me das marcas profundas e das cicatrizes estampadas em minha alma. Lembro-me da saudade!

Lembro-me que momentos são momentos! Minhas atitudes passadas, no passado estão, e devem permanecer intactas, pois são história. E o futuro? O futuro, no futuro está e não está sujeito somente a um livre arbítrio! Aí estão as influências externas.

Os caminhos são tortuosos e repletos de bifurcações. Ora convergem, ora divergem! Podem cruzar-se incontáveis vezes, ou somente uma.

Hei de indagar-me: o que será?

O cravo brigou com a rosa

“O cravo brigou com a rosa,
Debaixo de uma sacada,
O cravo saiu ferido,
E a rosa despedaçada.

O cravo ficou doente,
A rosa foi visitar,
O cravo teve um desmaio,
E a rosa pô-se a chorar.”

Saudade da infância composta por cantigas!

Saudade

Saudade daqueles tempos!

Hoje pela manhã, veio-me à memória o carro virando à direita, subindo a rua íngrime. A casa da minha avó como sempre foi, nada mudava, meu avô apoiado no portão, esperando a gente chegar!

A macarronada e a salada de legumes que minha avó fazia!

Meu avô vivo, minha avó sã!

Nem tudo na vida muda para melhor! Tenho saudade desse pedacinho precioso da minha vida! Agora, não há mais volta…

Há quase um ano meu avô tornou-se anjo!

Minha avó foi devastada pelo Alzheimer!

O tempo não volta, as condições não voltam! Resta-nos apenas o amor e as lembranças!

 

Uma história e uma cicatriz

Há pessoas que passam por nossas vidas e nada deixam, há outras que deixam o rastro de um perfume suave e outras que nos cravam uma cicatriz que sempre nos trará lembranças.

Houve alguém em minha vida, alguém de uma importância ímpar, alguém de quem precisei me afastar por motivos que não me cabe contar (afinal, vocês teriam apenas a minha versão da história. Isso seria simplesmente injusto, ainda que eu não citasse nomes).

Essa pessoa deixou-me dessas cicatrizes enormes, que em momentos me enchem de desgosto e que em outros são pura saudade.

A vontade de resgatar o convívio é imenso. O carinho persiste, mesmo ante as piores lembranças, porque estas fraquejam, mas as sensações dos bons momentos são eternas.

Entretanto, sei dos motivos que tive para fazer nascer um oceano entre nós e sei também dos murros em ponta de faca que dei antes de tomar a fatídica e difícil decisão de romper os laços. Não é o orgulho que não me deixa retroceder, pois este eu engoliria sem demora. O que me mantém firme nesta posição são os indícios de que nada mudou.

Por uma ou outra razão, acredito que sou lembrada e que, apesar de tudo, essa pessoa ainda me quer bem, tal qual eu ainda lhe quero bem.

 

A visita aguardada

Hoje é meu aniversário e, nesta noite, recebi o presente mais precioso e, definitivamente, inesquecível que poderia receber. Um presente especial!

Há um mês, desde que meu avô desencarnou, venho pedindo incansavelmente que Deus me permita despedir dele, venho pedindo com afinco que ele permitisse ao meu avô visitar-me para que eu pudesse dizer-lhe quanto o amo!

Sinceramente, não pensei que esse pedido fosse de fato ser atendido.

Nesta madrugada, entretanto, pouco antes do meu despertar, Deus presenteou-me.

Guardado por uma moça morena e bonita, meu avô veio até mim e pude abraçá-lo. Chorei em seu abraço terno e solucei “Te amo muito, Vô. Desculpe por não ter dito antes, eu te amo, vô.”

Foi em um sonho breve que ele me visitou, tudo o que lembro é de ter dito tantas vezes o amor que sinto por ele. Lembro de ter chorado e de ter visto seus olhos verdes lacrimejados também.

Agradeço a Deus que permitiu ao meu avô visitar-me nesta noite, que atendeu aos meus suplícios e trouxe paz ao meu coração.

Não ouso dizer que não chorarei de saudade e que não tornarei a me desesperar. Entretanto, sinto uma paz inexplicável e, agora, tenho a certeza de que ele está bem e recuperando-se pouco a pouco.

Não haveria melhor presente a receber! Na madrugada de meu aniversário, nas primeiras horas do dia, recebi a benção da visita do espírito de meu avô!

Estou feliz, ele me ouviu e há de sempre ouvir quando rezo por ele.

Estou feliz, ele está bem.

Estou feliz, pude dizer-lhe em um abraço apertado quanto o amo (não importa que não conversamos tudo o que eu queria, o mais importante, eu disse!).