Klein

Somos feitos de carne, gravados com uma data de fabricação e com prazo de validade. O corpo perece, resta a alma.

Não temos poder sobre até quando vamos durar, tampouco sobre quanto vamos amar! E talvez essa seja a pior parte… eu queria amar menos, amar de forma menos egoísta… meu amor é egoísta! Meu amor me faz sofrer, pois a razão não é suficiente para apaziguar a tristeza quando um corpo sucumbe e a companhia, neste plano, já não é possível.

Há quem diga que animais são somente animais! Ouso discordar! Meus cachorrinhos são um precioso pedaço de mim e donos do meu amor incondicional! Amor incondicional e intenso!

Ontem, um pedacinho brilhante desse ser chamado Carol esvaiu-se feito névoa! O nome dele: Klein! Klein porque era o menor de todos os irmãos, o meu magricelinho de cara enrugada e olhos infantis!

Meu pequeno peralta descansa e ainda me questiono sobre o porquê! E como dói! Como dói!

Resta-me o amor e a saudade de você, meu magricela! Meu enrugadinho! Meu Klein!

Klein

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Fundo do poço: O degrau para reerguer-se!

Há fatos que nos inserem em momentos introspectivos, a pensamentos, filosofias e fé! Que nos tocam com uma profundidade singular e nos abala de certa forma, que nos semeia a incompreensão e as incógnitas.

Quem sou eu para julgar alguém que não se veste das minhas dores e experiências, de fato, não hei de julgar! É, contudo, impossível não pensar!

O que motiva estes meus densos pensamentos? Hei de contar-lhes, sem dar nome aos santos! Há dois anos, aproximadamente, eu e meu irmão nos formamos, eu em Direito, ele em Medicina Veterinária. Neste meio tempo, tanta coisa aconteceu em nossas vidas e na vida daqueles que cruzaram nossos caminhos na graduação, coisas que culminaram em felicidades e infelicidades, que resultaram em boas vibrações e péssimas vibrações. Eu não sei, ao certo, o que aconteceu na vida daquela menina, não conheço seus sucessos e insucessos! Na terça-feira, este é o fato que estimulou minha introspecção, esta colega de faculdade do meu irmão cometeu suicídio, não importa como, não importa onde! Uma jovem com a promessa de uma vida, que, por algum motivo, deixou-se levar com o vento! Quem sou eu para julgá-la? Quem sou eu para tentar entender?

Choca-me, contudo, a proximidade de tal acontecimento! Eu não a conhecia, contudo, ela me era mais próxima do que qualquer outro suicida que eu tenha ouvido falar: amiga de meu irmão! Alguém de que eu ouvira falar algumas vezes, alguém na casa de quem meu irmão estivera em festa, alguém com quem conviveu durante cinco anos de sua vida!

Abala-me, nesta história, minha crença espiritual, pois acredito que o suicida, via de regra, não descansa em paz nessa desencarnação, tampouco se encaminha para um lugar melhor. Haverá, pois, de arcar com as conseqüências da agressão que cometeu contra a própria encarnação, independentemente do sofrimento que açoitou-lhe até o trágico momento.

Oro, contudo, para que Deus se compadeça do espírito dessa moça e possibilite que ela logo reencarne, para vencer e transcender as dificuldades que, nesta encarnação finda, foram maiores do que seus ombros poderiam suportar.

É neste contexto, meus caros leitores, que lhes suplico a virtuosa paciência e que rompam orgulhos e preconceitos a fim de buscar ajuda para solucionar e carregar os problemas que lhes são demasiadamente densos! As cruzes que lhes são entregues não hão de ser carregadas apenas por vocês, as pessoas que amamos podem ajudar-nos, os profissionais da psicologia estudam e dedicam-se para orientar-nos!

Ainda assim, se carregar o fardo for cada dia mais penoso, reverta seu sofrimento ajudando o próximo! Sei que encontrar forças para isso quando nossa vida parece um poço profundo, úmido e mergulhado em trevas, é difícil e, aparentemente, impossível! Digo, contudo, que quando chegamos ao fundo do poço é o momento de reerguer-se! Doar um pouco de si àqueles que precisam, muitas vezes, é a cura que jamais procuramos!

Herói, houve um: Ayrton Senna

Acho interessantes os conceitos de ídolos e heróis que têm as pessoas. São Restart’s, Lady Gaga’s, Justin Bieber’s, BBB’s, Ratinhos e afins, corpos, caras e bocas!

Tenho alguns ídolos que me marcam, são cantores com Fred Mercury ou Ray Conniff e atores como Sean Penn. Entretanto, meu herói é brasileiro, muito mais do que uma celebridade ou um campeão, ele tinha fortes valores, se preocupava com as pessoas e lutava por seus ideais. Meu herói morreu em 1994, durante o GP de San Marino.

Eu tinha seis anos quando olhei para a televisão e ouvi um repórter qualquer anunciando que Ayrton Senna estava morto. Meus olhos marejaram, como ainda fazem, e fui silenciosa para meu quarto, chorar a morte de um homem que me dava orgulho de ser brasileira, um modelo de determinação e dignidade!

São pessoas honrosas como Senna que deve ser nossas bússolas, norteando nossas atitudes e caráter!

Os heróis de hoje, contudo, nada mais são do que roupas e ritmos, estilos assim ou assado, cigarros, bebidas e drogas, vulgaridade e desrespeito! Inexistem verdadeiros valores e pessoas além de todos os conceitos que têm sido assimilados por todos.

Senna foi alguém de princípios e atitudes, mais do que um atleta, um guerreiro!

 

O seu herói é um “ai se eu te pego”? O meu é Ayrton Senna.

A visita aguardada

Hoje é meu aniversário e, nesta noite, recebi o presente mais precioso e, definitivamente, inesquecível que poderia receber. Um presente especial!

Há um mês, desde que meu avô desencarnou, venho pedindo incansavelmente que Deus me permita despedir dele, venho pedindo com afinco que ele permitisse ao meu avô visitar-me para que eu pudesse dizer-lhe quanto o amo!

Sinceramente, não pensei que esse pedido fosse de fato ser atendido.

Nesta madrugada, entretanto, pouco antes do meu despertar, Deus presenteou-me.

Guardado por uma moça morena e bonita, meu avô veio até mim e pude abraçá-lo. Chorei em seu abraço terno e solucei “Te amo muito, Vô. Desculpe por não ter dito antes, eu te amo, vô.”

Foi em um sonho breve que ele me visitou, tudo o que lembro é de ter dito tantas vezes o amor que sinto por ele. Lembro de ter chorado e de ter visto seus olhos verdes lacrimejados também.

Agradeço a Deus que permitiu ao meu avô visitar-me nesta noite, que atendeu aos meus suplícios e trouxe paz ao meu coração.

Não ouso dizer que não chorarei de saudade e que não tornarei a me desesperar. Entretanto, sinto uma paz inexplicável e, agora, tenho a certeza de que ele está bem e recuperando-se pouco a pouco.

Não haveria melhor presente a receber! Na madrugada de meu aniversário, nas primeiras horas do dia, recebi a benção da visita do espírito de meu avô!

Estou feliz, ele me ouviu e há de sempre ouvir quando rezo por ele.

Estou feliz, ele está bem.

Estou feliz, pude dizer-lhe em um abraço apertado quanto o amo (não importa que não conversamos tudo o que eu queria, o mais importante, eu disse!).

 

Vovô

Existem Manoéis. Existem Joaquins. Existiu um Manoel Joaquim Ramos, meu avô.

Ele nasceu em 27 de maio de 1921, em Santa Eudóxia (São Paulo).

Ele partiu no amanhecer do dia 29 de junho de 2011, aos 90 anos. Amei-o e amarei-o pela eternidade de minha alma.

Sabemos que esse dia chegará para todos, ainda assim, nunca acreditamos que a morte se abaterá sobre aqueles que amamos.

A despeito disso, vovô recebeu o abraço de um espírito gentil que o levou para outro plano e trouxe-lhe o descanso tão almejado.

Não haverá mais…

… o meu avô no muro de sua casa, assistindo o movimentar dos transeuntes.

… o som dos seus passos miúdos ou de sua voz rouca.

… sua boininha simpática cobrindo os cabelos, ainda mais escuros do que brancos.

… as histórias do tempo em que ele ia para os sítios ou pescava.

… poder tocá-lo, poder vê-lo, poder senti-lo.

Restam somente as lembranças, a saudade e o amor. Isso tudo é pouco demais para meu coração egoísta que o deseja perene ao meu lado, com seu corpo humano e mortal. Sua alma a me cuidar parece tão pouco, quero poder tê-lo em meus braços.

Meu avô se foi e levou um imenso pedaço de mim.

Faz dois dias que ele deixou esse mundo para se tornar nosso anjo da guarda, ao lado de todas as pessoas que ele amava e já haviam partido.

Tudo o que desejo é que vovô esteja em paz e feliz, que possa recuperar sua alma de todo o peso de uma vida inteira.

Espero ter forças suficientes para deixá-lo partir tranqüilamente. Que Deus o esteja cuidando.

Sentirei sua falta.