Reações da ignorância

Um pensamento alheio, uma divagação completa, bombardeou minha mente enquanto eu pesquisava detalhes tributários da extinção societária.

A mente humana é uma coisa curiosa, com voltas e lombadas esdrúxulas. Engraçado como reagem as pessoas que se sentem ofendidas pela própria ignorância, tendem a descer do salto e adotar a falta de tato como filosofia de vida.

Ainda mais curiosa a reação quando se sentem ignoradas. Permanecem em um estado de luta voraz, apelando para zombarias que têm graça apenas para seu humor pouco apurado e, então, cansam e se calam.

Um deleite para esta pequena escritora de pensamentos, que se regozija ao ver a arrogância cair do cavalo e virar ignorância até ser assoprada e morrer como uma vela no silêncio.

Anúncios

Lágrimas de Gaia

É bom estarmos sós, começamos a pensar e nos inspiramos, seja nas utopias mais maravilhosas, numa paisagem divina ou nas desgraças que nos afligem… Eis o texto fruto de meus pensamentos:

Por muitos anos pensei ser ilusão, pesadelos que me rondavam para enlouquecer-me no meu próprio temor.

Com o tempo, acostumei-me com a presença dos lúgubres seres de negras e esfoladas capas, que não me permitiam ver-lhes o corpo. Passei a tê-los como normais à existência.

Eles tornaram-se mais atrevidos, não mais surgiram apenas na escuridão das mentes infelizes, mas iniciaram ações de forma mais efetiva, criando pesadas nuvens tempestuosas, fenômenos destruidores, enfim, desgraças mil repousaram sobre a Terra.

Os seres vivos passaram a morrer, o sol os adoecia, ao invés de aquecê-los em dias frios; as águas passaram a afogá-los e invadir a terra, destruindo o que sobre ela estivesse, ao invés de refrescá-los e hidratá-los; o ar tornou-se violento e danoso à saúde, ao invés de encher-lhes os pulmões e as folhas de vida; o fogo, que por acidente descobriu-se como utilizar, passou a queimar tudo e alastrou-se facilmente; a terra não mais permitia que nela se cultivasse, de modo que planta alguma voltou a crescer sobre e sob ela.

As sombras que desde cedo me faziam vê-las, nada mais eram do que presságios e avisos da insana ganância humana, que tanto prejudicou sua morada, poluindo seus ares, suas terras e suas águas, destruindo camadas de nossa proteção, assassinando seus irmãos da flora e da fauna.

Tanto o homem causou desgraças à natureza e ao que o cerca que sua própria mãe passou a agir, esperançosa de salvar-lhes a alma e ao que o rodeia, esperançosa da recuperação humana. Em suas taciturnas lágrimas, ela recorreu a todos os panteões de deuses e a todos os deuses por si só, enviando-nos catástrofes e avisos de que, se continuarmos, não haveremos de ‘continuar’, seremos extintos pelas nossas próprias mãos.

Ainda há tempo de mudar e tentar salvar o que ainda não destruímos, contudo, muitos de nós, se fazem de surdos e mudos quanto aos avisos, quanto às lágrimas e quanto aos gritos de Gaia.

Nunca vi sombras que me atormentassem, então menti quanto a isso; mas o restante se faz real, e estamos vendo as consequências de nossos próprios atos em forma de fenômenos destrutivos que, ultimamente, têm ferido a superfície da Terra.