Esperança…

São tantas as vezes que me vejo desiludida com o ser humano, quando percebo a corrupção em que nos metemos, a crueldade que demonstramos, os gananciosos destrutivos que nos tornamos e o mal que causamos a nós e a outrem…

Mas há, de repente, algo que alivie a minha sensação e me faz surgir o que restou na caixa dada aos cuidados de Pandora, a esperança vai me brotando e quando vejo estou mais feliz e tranqüila.

Observar o sol brilhar tão lindo no céu; uma plantinha escondida ou não notada pelos olhares apressados crescer e ganhar força; olhar o céu todo azul, limpo e divinamente calmo; sentir o a leve brisa banhar nossa face, fazer dançar nossos cabelos; ouvir a música da natureza com seus animais e delicado farfalhar das folhas; ver uma criança ainda tão pequena sorrir e acariciar uma planta e falar com um pássaro que próxima a ela pousa; isso me enche de esperança o coração e me faz pensar que ainda temos salvação e podemos mudar.

Cada nova vida é uma oportunidade nova de nos redimirmos, ensinando-nos e ao pequeninos a não ter como modelo os maus exemplos que demonstram a decadência humana…

Por hora, tenho sido mais otimista. Antes, acreditava que a única salvação para este planeta tão lindo, seria a completa extinção de nossa espécie, mas repensei e acredito que não seja nem um pouco apropriada tão ocorrência. É tão mais simples e bonito nos corrigirmos e ter a certeza de que não somos maus em nossa essência, podendo voltar aos braços de nossa mãe como um filho recuperado e que sempre, por ela será amado.

É trabalho árduo, mas vale a pena, pois toda a vida e beleza resplandecente e natural da terra sobre a qual pisamos está em nossas mãos, devido aos nossos próprios erros…

A esperança é a última que morrerá em meu coração e, até que não mais haja volta, tê-la-ei em mim e acreditarei que podemos fazer muito mais por este planeta que tudo nos ofertou e que retribuímos com ingratidão…

A árvore, que aparentemente está seca, pode voltar a irradiar vida, acontecendo isso com todas as outras, um lindo jardim florescerá sob a luz do sol…

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Lágrimas de Gaia

É bom estarmos sós, começamos a pensar e nos inspiramos, seja nas utopias mais maravilhosas, numa paisagem divina ou nas desgraças que nos afligem… Eis o texto fruto de meus pensamentos:

Por muitos anos pensei ser ilusão, pesadelos que me rondavam para enlouquecer-me no meu próprio temor.

Com o tempo, acostumei-me com a presença dos lúgubres seres de negras e esfoladas capas, que não me permitiam ver-lhes o corpo. Passei a tê-los como normais à existência.

Eles tornaram-se mais atrevidos, não mais surgiram apenas na escuridão das mentes infelizes, mas iniciaram ações de forma mais efetiva, criando pesadas nuvens tempestuosas, fenômenos destruidores, enfim, desgraças mil repousaram sobre a Terra.

Os seres vivos passaram a morrer, o sol os adoecia, ao invés de aquecê-los em dias frios; as águas passaram a afogá-los e invadir a terra, destruindo o que sobre ela estivesse, ao invés de refrescá-los e hidratá-los; o ar tornou-se violento e danoso à saúde, ao invés de encher-lhes os pulmões e as folhas de vida; o fogo, que por acidente descobriu-se como utilizar, passou a queimar tudo e alastrou-se facilmente; a terra não mais permitia que nela se cultivasse, de modo que planta alguma voltou a crescer sobre e sob ela.

As sombras que desde cedo me faziam vê-las, nada mais eram do que presságios e avisos da insana ganância humana, que tanto prejudicou sua morada, poluindo seus ares, suas terras e suas águas, destruindo camadas de nossa proteção, assassinando seus irmãos da flora e da fauna.

Tanto o homem causou desgraças à natureza e ao que o cerca que sua própria mãe passou a agir, esperançosa de salvar-lhes a alma e ao que o rodeia, esperançosa da recuperação humana. Em suas taciturnas lágrimas, ela recorreu a todos os panteões de deuses e a todos os deuses por si só, enviando-nos catástrofes e avisos de que, se continuarmos, não haveremos de ‘continuar’, seremos extintos pelas nossas próprias mãos.

Ainda há tempo de mudar e tentar salvar o que ainda não destruímos, contudo, muitos de nós, se fazem de surdos e mudos quanto aos avisos, quanto às lágrimas e quanto aos gritos de Gaia.

Nunca vi sombras que me atormentassem, então menti quanto a isso; mas o restante se faz real, e estamos vendo as consequências de nossos próprios atos em forma de fenômenos destrutivos que, ultimamente, têm ferido a superfície da Terra.