Sobre símbolos e intenções

Na postagem anterior, “Sobre atitudes e natureza“, falei de um texto que muito me revoltou. Tive acesso ao texto integral, que sofreu algumas alterações, mas mantém os sentidos. Com permissão da pessoa que o escreveu, transcrevo:

As ONGs de direito dos animais, geralmente escolhem bichinhos bonitinhos como a WWF faz com o Panda, para arrecadar fundos, para “salvar” um bicho, que não fará diferença alguma no ecossistema se for extinto, só porque as pessoas têm pena de bichinhos bonitinhos que estão em extinção, deveríamos parar de nos preocupar com os bichinhos bonitinhos e começar a dar mais atenção pros feios, como por exemplo o jacaré de papo amarelo, certas espécies de serpente, e muitos outros “horrendos”. Vou me esforçar e batalhar para ser uma horrenda, não quero que os outros tenham pena de mim, farei a diferença!

Evidente que a intenção do autor foi a de mostrar que pessoas diferentes ou menos bonitas acabam sendo deixadas de escanteio. Entretanto, é fato, também, que a idéia apresentada como metáfora para alcançar a conclusão é bastante infeliz e incoerente.

Os emblemas utilizados pelas ONGs que visam à proteção do meio-ambiente e dos espécimes nele existentes não são meramente aleatórios, têm um significado profundo. Desta forma, a imagem utilizada em suas campanhas não deriva da escolha de bichinhos bonitinhos. Por exemplo, vejamos porque o símbolo da WWF é um panda:

Em 1961, nos primórdios da WWF, o panda Chi-Chi havia sido instalado no Jardim Zoológico de Londres. Os organizadores do grupo estavam cientes de que precisavam de um símbolo forte e reconhecível, que ultrapassasse as barreiras da língua. Como todos sabem, o panda é um animal que de longa data corre risco de extinção e a chegada de Chi-Chi ao zoológico londrino se casou com a necessidade vislumbrada. Desde então, o panda tornou-se símbolo para o movimento de conservação como um todo. (WWF – História)

Compreendido, neste ponto, que o autor do texto critica o fato de a imagem ser simpática e convidativa, ou seja, as pessoas não se interessariam em colaborar se o símbolo do movimento fosse um animal menos fofo, tal qual um réptil.

Entretanto, os colaboradores das ONGs não se engajam em decorrência da imagem estampada diante de seus olhos. O que os motiva é o significado de suas ações, ou seja, a importância de cada um fazer sua parte pela preservação dos ecossistemas e do planeta, de permitir que desde os animais e plantas mais simpáticos até os mais asquerosos sejam preservados.

Aqueles que estão envolvidos nos projetos de instituições como a WWF e o Green Peace sabem que um símbolo não significa nada, pois o relevante é o âmago do movimento e os resultados alcançados. Não julguemos pela casca algo tão profundo, cujo interior transcende aos nossos olhos.

Participando por muito tempo do Passport Panda, que está atrelado à WWF, vi o quanto de criaturas e lugares incríveis e diferentes busca-se ajudar.

Desta forma, entendo a intenção contida no texto mencionado, mas ouso dizer que o exemplo utilizado foi bastante infeliz e impróprio, de forma que os comentários tecidos no post anterior permanecem válidos.

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