Cativos da escrita

Escrita, uma arte deliciosamente complexa, uma derramar de idéias para que outros dela partilhem, o sabor incandescente de tecer pensamentos e o colocarmos no firmamento. Tantas são, entretanto, as formas de desenvolvê-la, seja prosa, seja poesia, seja então prosa poética.

Tentei ser poeta! Descobri-me inapta a dar vida a belos versos e estrofes, sonetos simétricos. Tenho especial paixão aos versos simétricos, que ainda que friamente calculados, sejam cálidos e naturais, fluentes de beleza. Entretanto, sequer meus versos tortos são capazes de embebedar de beleza, são pobres demais.

Encontrei-me, contudo, na beleza da prosa. Em uma escada longa que leva ao ápice da escrita, mal passei da metade do primeiro degrau, mas como amo poder usar das palavras para expressar meus sentimentos e minhas idéias! E tenho uma dezenas de idéias, falta-me apenas tempo para roubá-las daquele plano para este, palpável.

A sensação de escrever e dar vida a tudo quanto percorre a mente é indescritível, mágica, dominadora e cativante. Se pudesse, escreveria incessantemente, alimentar-me-ia das palavras, beberia das pontuações, respiraria a linguagem. Voltando ao mundo real, preciso trabalhar e cuidar da casa. Ora, reservo-me o deleite de escrever nas raras horas em que não estou sujeita ao cumprimento dos meus deveres.

Quando descobri minha paixão pela escrita? Logo após descobrir meu amor pela leitura, eu tinha algo entre 13 e 14 anos. A professora de filosofia (Declaro minha gratidão à Dona Sandra, minha professora de filosofia na 8a. série da escola CEDESC, muito tempo atrás!) pediu-nos que fizéssemos uma redação em que nos inseríssemos em um mito grego ou uma lenda brasileira.

Minha paixão irrefreável pela mitologia e cultura antiga levaram-me a utilizar a mitologia grega, mas como utilizar um mito isolado em uma cultura tão intrincada? Impossível! Minha baderna de mitos, cujo centro era Apolo, gerou uma redação de 8 folhas (Saliento, 8 folhas, não páginas!).

Foi aí que nasceu meu primeiro livro, a redação tomou cria e cresceu para suas duzentas páginas. Comecei a revisá-lo um tempo atrás, para procurar editá-lo e publicá-lo, mas uma idéia de supetão assolou-me e comecei a escrever meu quinto livro. Sim quinto, sem esquecer quarto, que também está em processo de criação.

Desde então, encontro-me sempre (sempre!) em processo criativo, os pensamentos maquinando o próximo diálogo, o próximo entrave, o próximo detalhe.

Conheço que, especialmente minhas primeiras histórias, chegam a ser algo próximo do tosco. No entanto, são meus bebês, minhas crias e encho o peito de orgulho para delas falar. Retratam-me em épocas diferentes e a evolução (ou não) da minha forma de expressão.

Dedico este post a todos que, como eu, pessoas que amam escrever e amam suas obras, ainda que tortas.

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