O relato de uma história

Certa vez, houve alguém que me era terno, uma amiga especial por quem eu nutria um carinho verdadeiro e sincero, tão singelo.

Morávamos em cidades distintas, mas nos falávamos todos os dias! Morávamos há 36 km uma da outra e víamo-nos sempre que possível! Passávamos finais de semana uma com a outra, virávamos a noite conversando, jogando RPG, fazendo companhia uma a outra!

Ansiávamos pelas visitas uma da outra, entristecíamos quando da partida! Nunca parávamos de conversar, nossos assuntos eram diversos: RPG, fantasia, livros, histórias, músicas! Tantas outras coisas a prosear, nunca havia tempo hábil para dividirmos nossas experiências.

Foi graças a ela que conheci o homem com quem me casarei em 2011!

Contudo, as pessoas diziam-me diferente quando estava com ela, mais agressiva especialmente com a família, alheia ao restante do mundo. Demorei anos para perceber isso! Meus olhos se abriram aos poucos, fui percebendo que, ainda que sem intenção, ela diminuía os demais para sentir-se melhor em suas práticas, um talento prodigioso às custas de reduzir os demais a nada! Corrigia as pessoas independentemente de quantos o presenciassem, era radical e intolerante com aqueles que não partilhavam de suas crenças (ainda que não chegasse a ofendê-los ou barbarizar).

Aquela pessoa que eu conhecia tão bem começou a trajar-se de monstro aos meus olhos e nada do que eu lhe dizia era ouvido, os comportamentos pioraram! Minha visão se abriu toda nossa histórias e minha percepção acusou que tudo quanto vinha de mim parecia não a interessar, enquanto que eu me mostrava tão empolgada com as idéias que dela brotavam!

Nunca briguei com ela, tampouco discuti ou agi irracionalmente. Um dia, simplesmente fui corajosa o suficiente para sentar e conversar sobre tudo o que me afligia, sobre sua persistência em machucar os outros (ainda que involuntariamente), falei-lhe tudo com calma! Foi nesse momento que coloquei um fim em nossa amizade de irmãs, nesse momento em que arranquei um pedaço de mim por nós duas e que lhe pedi que mudasse coisa ou outra para que outra pessoa não fizesse o mesmo que eu!

Sei que foi o melhor para nós e não me arrependo do que fiz, dois ou três anos atrás. Contudo, não nego que sinto, até hoje, uma enorme falta de sua companhia!

Se lendo este post e, pelo que narro, ela não reconhecer nossa história, certamente a imagem garantir-lhe-á que é dela que falo e saberá que sua amizade me gravou eternamente.

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