Grãos no universo

Somos criaturas tão prepotentes, crentes em cada segundo de respiração que somos donos de nossos passos, que o futuro se guarda em nossas mãos. O abalo sísmico nessa realidade tão cega vem quando escapa às nossas mãos o ideal poder sobre nós mesmo, o inesperado avança a galope ou piscamos por um segundo, despreparados para descobrir que fugimos completamente do caminho que cuidadosamente havíamos planejado.

Não que seja necessariamente ruim, as mudanças podem vir pelo bem ou pelo mau, podemos nos surpreender com a descoberta de uma vida nova e repleta de expectativas, uma massagem à nossa felicidade, um deleite às sensações. Contudo, podemos nos decepcionar, seja pela desilusão de descobrirmo-nos em mundo com que não sonhávamos, seja por descobrirmos que fomos regados por alguma infelicidade.

De fato, somos dotados do poder de escolha, e ainda que involuntariamente ou distraidamente, nós decidimos se desejamos tomar o caminho da direita ou da esquerda, se preferimos ficar parados no cruzamento ou retroceder.

Contudo, podemos ser forçados a seguir em sentido distinto do que desejamos, o que não elimina o resquício de uma escolha, ainda que indesejada.

É inexplicável a descoberta de que somos tão pequenos diante da vida, dos planos de alguém maior do que cada um de nós, do que todos nós. Em um instante, cremos sermos poderosos a ponto de ditar cada acontecimento de nossa história, até descobrirmos que somos atores coadjuvantes dela mesma. Decidimos pelo nosso futuro, esquecendo-nos que não somos seres isolados e que outras pessoas, que influenciam ou podem influenciar diretamente na tecelagem de nossa tapeçaria, têm suas escolhas.

Eis que não temos poder sobre nosso futuro por um motivo muito simples: não estamos sós! E ainda que estivéssemos, não somos senhores do todo, dos ventos, das chuvas, dos sóis, das ondas.

Se não definimos sequer a exatidão de para onde nossas pernas nos levam, como podemos nos julgar tão poderosos?

Arrisco, entretanto, contar-lhes que, a despeito de toda nossa insignificância, é fato: nossos atos geram suas conseqüências, em pequena ou larga escala!

Portanto, ainda que sejamos tão pequenos, sejamos grandes o suficiente para sermos humildes e verdadeiros, honestos e fiéis, justos e virtuosos, bons e preocupados com mais do que nosso mundo individualista! Esta é a chave para a felicidade, nossa e alheia, ainda que distante dos planos que tão cuidadosamente desenhamos em nosso imaginário.

Ainda que não alcancemos nossos intentos, ainda que não sejamos donos de nosso futuro, temos o poder de fazer-nos e àqueles com que encontramos felizes. Basta não escolher o caminho manchado pela intenção de fazer o errado!


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