Acontecimentos e acontecimentos

Há acontecimentos que se cruzam com nossos passos e que em nada os afetam, seja uma brisa que massageia a pele e agita os cabelos, seja uma barreira insignificante demais para atrasar-nos ou tropeçarmos.

Há outro tipo, contudo, que estremece nossos alicerces e interferem, não apenas no caminho, mas em todos os músculos e um algo mais que nos permite andar. Não vou falar, entretanto, daqueles que nos fazem odiar ou nos sentir mal. Não hei de cantar sobre pedras que me fazem cair, de buracos fundos e largos demais para serem saltados, de rios que nos arrastam para longe de nossas metas e sonhos. Hei de declamar os acontecimentos extasiantes, que nos pintam sorrisos e nos fazem chorar de alegria, que nos fazem sentir as pernas como finos bambus ao vento e cada osso treme descontroladamente. Os olhos brilham, o coração palpita!

Dois momentos foram marcos profundos em minha vida! O primeiro, quando fiz a apresentação de meu trabalho de conclusão de curso, cujo tema era “A proteção à propriedade intelectual dos programas de computador”. Não lembro exatamente de como me apresentei, não me lembro exatamente da sabatina a que fui submetida. Lembro-me da dificuldade dos questionamentos e da facilidade de outros, mas, acima de tudo, está quente e recente a memória de minha orientadora Profa. Catarina erguendo-se na banca com o olhar sério, folhas em mãos. Ela falou algo do que não me lembro, com ares pesados e então anunciou com um sorriso, orgulhosamente, que eu havia sido aprovada com louvor e, após uma pausa longa, salientou “… com nota máxima.” Lembro-me de chorar imediatamente e de levar as mãos ao rosto nesse momento! A vontade de chorar vem com a memória… Lágrimas de pura felicidade e realização!

O segundo momento de tanto destaque! Havia passado às 23:40 horas de uma tal sexta-feira 13, agosto de 2010, quando fui acordada por um celular e contaram que eu havia sido aprovada no exame da Ordem dos Advogados. A ficha não caiu, ergui-me e acessei a página do concurso tão esperado! Meus olhos encontraram meu nome, as palavras não saíam, apenas vigoravam risos e soluços, um choro incessante e agitado! A histeria tomou-me e impediu-me de dormir antes das 2 da manhã! Acordei minha mãe à meia-noite e penso que ela imaginou trata-se de um seqüestro ou um outro grave, pois nada do que eu falava se entendia, apenas o choro… o choro… o choro! Respirei fundo e gritei “PASSEI!” e tornei a chorar! Ela se regozijou e eu continuei em minha emoção exagerada!

Espero viver mais dessa felicidade louca e espero, com sinceridade, que vocês tenham a chance de vivê-lo e que, cada vez que contarem a história, seus olhos brilhem e o coração palpite!

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