Tempos de outrora

Arrependo-me de cada desprezo e maldição com que dilacerei aquele tempo, aquele cenário. A saudade fere-me o peito à medida que tudo aquilo passa a ser a lembrança-reflexo de uma realidade que já não está ao meu alcance, da qual meus passos afastaram-me conforme o amadurecimento acrescentava-me dias e responsabilidades. Foi-se a época em que eu era uma simples estudante, uma simples filha! Hei que o conhecido dizer me cai como luva: “Eu era feliz e não sabia”.

Não valorizei o que amo saudosamente nos dias de hoje e o aperto em meu peito faz-se tão forte, ainda que tudo quanto passou tenha sido alguns meses. Não há retorno, a barragem cedeu tão logo por ela passei, a eterna obstrução do caminho impede-me de regressar. É assim a vida, nem com tudo se pode voltar atrás!

Que saudade é essa! Uma disposição específica de prédios, uma incidência cativante da luz em um clima acolhedor de refrescância em meio aos vai-e-vens dos transeuntes. Eis ali, naquele cantinho das lembranças, o terminal de ônibus enfeitando o centro da cidade, ao seu redor, lojas de cujas fachadas sinto falta.

Onde estará aquele rio que atravessava longa extensão da cidade de montanhas, correndo por aqui e por ali, seguindo pela João Pinheiro, passando diante da rodoviária e do shopping. Tantas vezes tomei ônibus que fazia uma linha específica entre o interior mineiro e o paulista. Tantas vezes passei sem grandes pretensões pelo mal planejado e bem iluminado shopping! Visitei-o no dia de sua inauguração!

Sensação de solidão essa que me arrebata, ao recordar daquele fórum em que estive por momentos de nervosismo e prazer, daquela lojinha graciosa em que eu e uma preciosidade de amiga paquerávamos acessórios e reclamávamos de sempre estarmos “duras” demais para comprar qualquer coisa! Saudade cruel essa!

Quanto nos divertíamos em nossos passeios pela cidade das águas quentes! Nossos trânsitos pelo fórum e pelo caminho marcado de rosa, através do mercado municipal, avenida acima por um caminho verde e salpicado de árvores, rumo ao Juizado Especial! Vida puxada, corrida, exaustiva… Hoje, vejo quão dourada era! Quanto eu gostaria de aprazer-me com aqueles tempos novamente, não com as lágrimas de que eles não retornarão à fragilidade de minhas mãos!

Lá estava, ao final da tarde, após o cumprimento de prazos e freqüências a audiências, a loja de “tudo por 1 real”, onde gastávamos uma enormidade em besteiras desnecessárias! E lá continua, juntamente com as tantas lojas de roupas, em que apenas víamos e perguntávamos, para sairmos de mãos vazias.

Os lapsos de tempo em que eu esperava meu príncipe encantado descer de seu cometa azulado com tantos cavalos quantos permitiam seus construtores! Almoçávamos carinhosamente e vivíamos alguns dias de um sonho repleto de expectativas! A tristeza afligia-me quando o mesmo astro o levava de mim e contentava-me em repetir-lhe em amor pleno, o quanto que o amava e o quanto que sentiria sua falta!

Saudade do tempo de outrora! Saudade de tudo quanto me escapou pelas veias do tempo e da vida! Descubro que tudo quanto amo, amei sem saber quando pensava odiar!

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