Nada contra, mas tudo contra!

Intrigante esse falso patriotismo ou patriotismo esquecido e recordado tão-somente de quatro em quatro anos.

Não falo, porém, do lapso temporal que anuncia novas eleições para nossos representantes nos Poderes Executivo e Legislativo, quando deveria estar em alta o interesse pela Pátria e pelo povo que ela abriga. A despeito disso, as eleições não passam de período de barganhas e votações indiferentes e desinteressadas sobre o futuro que aguarda o Estado brasileiro.

Patriotismo exacerbado! As bandeiras de verde retângulo estendem-se nas janelas, seu losango pendura-se sobre o vidro dos carros em hastes plásticas, sua circunferência azul desenha-se em cada paisagem e as estrelas salpicam-se pelas calçadas. Pouco se lembra sobre seus significados, sequer se recorda da “Ordem e Progresso”. Revolta-me, por sinal, que percentagem relevante de nossos tantos patriotas pensem que se escreve “Ordem ou Progresso”! Absurdo ofensivo às pretensões que se manifestam no original e do que deveria, em tese, ser objetivo de nosso Brasil.

Quatro anos de abandono e vidas ao léu, até que se anuncia a chegada de um evento! Eis a Copa do Mundo, a movimentação é mundial! Em nada me manifesto acerca do acontece em outros lugares, nem mesmo os conheço! Contudo, conheço o suficiente de meu povo para poder falar de tudo isso!

O povo faz-se em festa e as tristezas sufocam-se, cresce a temporária felicidade de torcer por aquilo em que um dia fomos os melhores! A pobreza deixa de existir por esse período de tempo tão ínfimo, o consumismo propaga-se em verde e amarelo e até quem nada tem, nem mesmo comida, compra um item, ou vários, para gritar adequadamente com todo seu pulmão quando assistir a um jogo do Brasil.

Vejo empresas pararem seu funcionamento, órgãos públicos, absurdamente, deixando de prestar serviços ao povo que lhe necessita! A importância do que realmente importa e do que repercutirá no daqui para frente é ignorada em prol de um “quem carregará a taça?”.

Por mais desacreditada que esteja a seleção e aqueles que nos representam em jogos, lá estão os brasileiros torcendo sem faltar!

Não se critica, aqui, a importância cultural de um evento de tal magnitude, tampouco a relevância para o moral do sofrido povo, anuviando-lhe temporariamente as infelicidades que pintam a vida. Essa é a magia que mais se admira em tudo quanto circunda a realidade de uma movimentação popular!

Critica-se, no entanto, que a defesa de nossa pátria pelo povo que dela advém seja tão restrito a um momento como este. O patriotismo fica inerte, adormece em longa hibernação no dia seguinte ao fim dos jogos e renasce apenas quando da abertura da próxima, quatro anos mais tarde.

O maior movimento que se pode fazer é torcer com cornetas e camisetas por um jogo? Infeliz a mentalidade brasileira está amortecida e entorpecida pela denominada política do pão e circo.

Incapazes somos de defender e lutar por nossos direitos e pelo nosso crescimento econômico, social e moral!

Meras marionetes, induzidas ao consumismo e ao falso patriotismo assim que a mídia lança os novos anúncios. Trabalhados e lapidados para que não passemos de simples mariscos, acomodados às desgraças do dia-a-dia sem nunca erguer as bandeiras da Pátria para lutar por nossa dignidade e pelo respeito que todos merecemos.

Festejar é maravilhoso, é importante e renova as forças para o enfrentamento dos males cotidianos! Uma pena que nos apeguemos tão fielmente apenas ao cotidiano individualíssimo, que se restringe às paredes do nosso lar.

Se há corrupção de nossos nobres representantes, para que nos mobilizar? Não é algo que se consiga relacionar diretamente àquela ferida que se abriu em nossa carne! É normal demais a corrupção, para que enfrentá-la? Para que lutar com intuito de derrubá-la? É muito mais fácil mergulhar-se na desonestidade e roubar à mão-armada, caso não se tenha cacife para fazê-lo como o fazem aqueles que elegemos para reger o país.

A desgraça continuará ali, os grandes e pequenos desonestos permanecerão existindo e se multiplicarão à medida que nada fazemos para algo mudarmos! O tempo passa, tudo passa! Não é? Não, de forma alguma!

Cada qual, individualmente ou em grupo, fazendo sua parte na sociedade, com ética, pode colaborar para as grandes e pequenas mudanças do mundo!

Ao invés de expor-se a um transeunte patriotismo em prol de um jogo de futebol, porque não combinar o festejo à luta (esta que nos falta)?

Um Estado descente não se faz descente da forma com que procedemos. É preciso mudar e tomar como modelos aqueles que realmente lutam por nós e querem o bem-comum, não apenas o seu próprio!

Se é possível fazer bem ao próximo, porque não fazê-lo? Se é possível não fazer mal ao próximo, porque fazê-lo?

Questiona-se o funcionamento de nossas marionetes, que insistem em amarrar-se às mil cordas, submetendo-se mais e mais aos controles dos outros!

Critica-se, acima de tudo, essa política de pão e circo tão bem sucedida em nosso Estado!

Ainda não tarda que ergamos nossas bandeiras por algo maior! Já não é tempo de sermos verdadeiros patriotas!?

 

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