Desabafo

Meu coração aperta e sufoca minhas tragédias com a perspectiva insólita e infeliz que se pinta diante dos meus olhos.

Os sacrifícios não cessam um instante sequer e, após tudo quanto abri mão e deixei para trás, vejo que talvez seja obrigada a deixar aquilo pelo que tudo ficou apenas em meus rastros.

Meus olhos marejam em aflição e a dor constante martela-me a cada movimento dos pulmões, causando-me a profunda dor que apenas o silêncio é capaz de exprimir e que sobre a qual não tenho qualquer domínio.

Mãos atadas, sequer meu destino se estende diante de mim, sob minhas rédeas!

Corro em seu encalço e tudo quanto consigo é vê-lo distanciar-se a largos passos, fugitivo de meus dedos e da felicidade que me poderia causar. Vejo-me arrebatada por um destino que não é meu, mas suas garras são demasiado fortes para que delas eu me livre e possa correr sem barreiras.

Luta! Debato-me sob a força que exerce contra mim! Planejo! As estratégias de fuga são ineficazes!

Não fui eu a pecadora merecedora do Tártaro! Os deuses enganaram-se e lançaram nos Elíseos aquele que deveria estar aqui. Tomou-me o lugar e, agora, deleita-se com meus merecimentos.

Triste fim dessa heroína, que lutou tantas batalhas para, inglória, tombar sem nada conquistar.

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