Lágrimas de Gaia

É bom estarmos sós, começamos a pensar e nos inspiramos, seja nas utopias mais maravilhosas, numa paisagem divina ou nas desgraças que nos afligem… Eis o texto fruto de meus pensamentos:

Por muitos anos pensei ser ilusão, pesadelos que me rondavam para enlouquecer-me no meu próprio temor.

Com o tempo, acostumei-me com a presença dos lúgubres seres de negras e esfoladas capas, que não me permitiam ver-lhes o corpo. Passei a tê-los como normais à existência.

Eles tornaram-se mais atrevidos, não mais surgiram apenas na escuridão das mentes infelizes, mas iniciaram ações de forma mais efetiva, criando pesadas nuvens tempestuosas, fenômenos destruidores, enfim, desgraças mil repousaram sobre a Terra.

Os seres vivos passaram a morrer, o sol os adoecia, ao invés de aquecê-los em dias frios; as águas passaram a afogá-los e invadir a terra, destruindo o que sobre ela estivesse, ao invés de refrescá-los e hidratá-los; o ar tornou-se violento e danoso à saúde, ao invés de encher-lhes os pulmões e as folhas de vida; o fogo, que por acidente descobriu-se como utilizar, passou a queimar tudo e alastrou-se facilmente; a terra não mais permitia que nela se cultivasse, de modo que planta alguma voltou a crescer sobre e sob ela.

As sombras que desde cedo me faziam vê-las, nada mais eram do que presságios e avisos da insana ganância humana, que tanto prejudicou sua morada, poluindo seus ares, suas terras e suas águas, destruindo camadas de nossa proteção, assassinando seus irmãos da flora e da fauna.

Tanto o homem causou desgraças à natureza e ao que o cerca que sua própria mãe passou a agir, esperançosa de salvar-lhes a alma e ao que o rodeia, esperançosa da recuperação humana. Em suas taciturnas lágrimas, ela recorreu a todos os panteões de deuses e a todos os deuses por si só, enviando-nos catástrofes e avisos de que, se continuarmos, não haveremos de ‘continuar’, seremos extintos pelas nossas próprias mãos.

Ainda há tempo de mudar e tentar salvar o que ainda não destruímos, contudo, muitos de nós, se fazem de surdos e mudos quanto aos avisos, quanto às lágrimas e quanto aos gritos de Gaia.

Nunca vi sombras que me atormentassem, então menti quanto a isso; mas o restante se faz real, e estamos vendo as consequências de nossos próprios atos em forma de fenômenos destrutivos que, ultimamente, têm ferido a superfície da Terra.

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2 respostas em “Lágrimas de Gaia

  1. Eeeeeeeeee \o/Primeiro comentário!Adorei seu texto, Panda-chan! ^-^ Bem no seu estilo — de escrita, de vida, de ser.Amei também a mensagem; sim, ainda podemos nos salvar a nós mesmos e a nossos irmãos, ainda podemos abrir nossos olhos e nossos ouvidos para os sinais de Mãe Gaia.

  2. Primeiramente, parabenizar essa autora tão fabulosa que vc é, Carol.Eu gostaria de saber escrever meus pensamentos de tal maneira… mas eles sempre ficam guardados a mim mesmo.Descobri seu blog por acaso, viajando pelo universo virtual. Confesso que me canso em ler na tela de um computador, mas mesmo assim seus textos me prendem frente a ele.Felipe. (felipeborsoi@gmail.com)

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